No ano de 1951, aconteceu uma guerra muito triste em Barra Velha,o capitão da aldeia, Honório Ferreira e mais três Pataxó viajaram até o Rio de Janeiro para reivindicar seus direitos e suas terras,como não possuíam dinheiro para a viagem eles saíram a pé, com a previsão de retornar somente quando conseguissem ser ouvidos.
No Rio de Janeiro, o tal Rondon falou que tomaria as devidas providências enviando engenheiros para demarcar as terras Pataxó.
Então Honório e seu grupo retornaram de viagem, mas acompanhados de dois homens brancos que diziam ser engenheiros e que viriam demarcar as terras.
Os dois homens chegaram na aldeia iludindo os nativos para roubar a venda do senhor Teodomiro. Os nativos receberam-nos inocentemente, sem saber o que poderia acontecer,fizeram uma reunião e alguns decidiram realizar o saque enquanto outros foram contra. Pegaram Teodomiro, amarraram, carregaram, jogaram-no na praia e roubaram toda a mercadoria. Por uma coincidência, ia passando um homem que perguntou o que estava acontecendo,Teodomiro disse que foram os indígenas que fizeram isso com ele,o homem então foi até a linha do telégrafo e comunicou à polícia de Porto Seguro e Prado, quando eles souberam disso, cortaram toda a linha para que não houvesse mais comunicação.
No dia seguinte, de madrugada, os policiais chegaram já atirando, teve até troca de tiros entre os policiais de Prado e Porto Seguro, que pensaram que os tiros vinham dos indígenas, acabaram morrendo nesse tiroteio muitos nativos e muitos policiais. Quando os policiais perceberam que não eram os indígenas que estavam atirando, juntaram suas forças para atacar.
Foi assim que começou o massacre do povo Pataxó.
Estupro de mulheres e espancamentos, crianças morrendo nas pontas das baionetas e muitos nativos fugindo para a mata, para se esconder e os indígenas que se esconderam nas matas ficaram muito tempo ali.
Maria Calango era uma benzedeira que tinha o poder de esconder pessoas e objetos, Nesse período, ela se escondeu num oco de pau velho e a reza era tão forte que fazia as armas não atirarem.
Nesse massacre horrível, arrancaram o couro da cabeça do velho Júlio, fizeram ele comer o próprio couro de sua cabeça e correr de Barra Velha até Caraíva com uma cangalha nas costas e apanhando de chicote.
Os velhos e as criancinhas que não podiam correr por ali mesmo iam morrendo, porque os homens entravam dentro das casas a cavalo e pisavam por cima de tudo. Entre outros casos que aconteceram, uma nativa pegou carona em um barco até Salvador, fugindo com medo de ser morta.
