terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Cultura indígena


A cultura indígena é um conjunto de valores, crenças, saberes e costumes dos povos. Importante ressaltar que não existe apenas uma única cultura indígena, mas uma grande diversidade cultural. Segundos dados do IBGE, no Brasil existem 896,6 mil indígenas divididos em 305 etnias diferentes, que falam 274 línguas.

Sobre a comida local e tradições: algumas tarefas são divididas por gênero, mas também não é uma regra, algumas meninas da aldeia costumam coletar itens como nozes, raízes, frutas, silvestres e mel.  Aves, símios, antas, javalis, capivaras e tatus são exemplos de animais caçados com armadilhas, arco e flechas, lanças de madeira, tacapes e pequenos machados de pedras. Portanto, cada grupo indígena tem suas particularidades e técnicas para a confecção de armas, escolha de material, método de preparo ou na decoração que identifica o povo. 

Gabriel Soares uma vez escreveu sobre os Goitacas que arriscavam suas peles em busca de tubarões, para comer? Não, mas sim para lhe tirar os dentes e engastarem nas pontas das flechas. Alguns indígenas utilizavam um recurso semelhante à lixa, mas era obtida de um vegetal muito comum no litoral, a embaúda, uma árvore comprida e delgada, ela tem uma folha áspera. Mas retomando sobre os alimentos, para a conservação da carne é utilizado uma técnica de Monqué, em que uma estrutura de madeira é instalada sobre o fogo. A carne defumada é usada em diferentes receitas.
Alguns alimentos tradicionalmente cultivados pelos povos é o aipim, milho e mandioca, entre os Tembé do Pará, a carne defumada é desfiada e misturada com farinha de aipim assim criando cremosos. A tapioca apurina é usada para fazer beju, a farinha é uma bebida fermentada chamada kaikoma.

Crença indígena: cada povo indígena tem seu próprio sistema de crenças, com seus próprios rituais, deuses e lendas.
Uma das principais características dos povos indígenas é a figura do pajé - o pajé (pai'é), em tupi - guarani. 
O xamã é um líder espiritual, um especialista em assuntos religiosos dos ancestrais, que através do transe consegue entrar em contato com os espíritos dos ancestrais e animais sobrenaturais. 
O feiticeiro é a pessoa que faz a mediação entre as aldeias dos vivos e dos mortos, até mesmo animais, a principal tarefa do feiticeiro é a cura. Por meio desse trânsito entre o mundo dos vivos e a dimensão sobrenatural, o xamã consegue controlar os espíritos causadores de doenças, prevenindo inclusive a morte de pacientes. 
Os povos indígenas são politeístas, cultuando muitas entidades e não tendo culto a nenhuma deidade. Também não há doutrina ou conjunto do mesmo. Um aspecto fundamental é a crença em animais ou espíritos, um exemplo são os Yanomani que acreditam na existência de espíritos da floresta xapiri que vivem no alto da montanha. Você sabia que ao entrar em uma floresta é necessário pedir permissão para explorar aquele devido lugar, caso contrario se perderá no meio dela, muitos nativos e até mesmo brancos relataram este ocorrido. Mas falando sobre os Tenetehara conhecidos no Maranhão como Guajajara e no Pará como tambe, existe uma crença tradicional em kararas, animais sobrenaturais. Também há Uma importante lenda tupi que fala de um espírito criativo, um herói ancestral Mahira, em um mundo completamente desmantelado por um grande indendio, Mahyra levantou - se de uma jatoba, criou uma esposa na qual teve filhos, edificou a primeira casa, cultivou o primeiro milharal e deu fogo aos homens. Assim, na mitologia tupi, Mahira é o herói da civilização. Entre os indígenas Surui que vivem nos estados de Mato grosso e Rondônia, os Karoara são espíritos negativos responsáveis por doenças e até mortes. O processo de cura por um feiticeiro e a retirada da caroara do corpo do paciente.

Nos rituais a dança também é algo muito presente, banquetes, cerimônias religiosas, feriados ou mesmo funerais ocorrem dança. Nos rituais do povo Kiowa e Nhandeva, a música e a dança desempenham um papel importante. Os Araweté incluem o opirahë (uma dança com intenção de entretenimento ou como parte do ritual de fazer cauim, uma bebida alcoólica à base de aipim). Os homens que pertencem ao povo Oporhekha costumam dançar em fila com um timbre trêmulo, uma dança de peleja onde os homens mostram suas armas.
 A tradição do quarup, festa religiosa em homenagem aos mortos entre o povo alto- xinguano do Mato grosso. Um elemento do ritual era o uso de caules para representar os espíritos dos falecidos.

 Uma curiosidade sobre os xinguanos e sua arte com máscaras, são utilizados pelos indígenas chamados de Wauja visando celebrar o espírito Apapatai para poderem proteger e dar forças aos membros da comunidade.

 Ervas indígenas 
O cura é um dos principais venenos tirados de plantas, a planta também é usada para cerimônias de cura, os xamãs dos povos Yanomami usam o rapé alucinógeno (yakoana) para contatar e controlar espíritos causadores de doenças. O pajé tomava o famoso chá de ayahuasca na caxinawa que morava na jeira.

 Desde o início da colonização do Brasil em 1500, a população indígena diminuiu, naquela época havia cerca de cinco milhões de nativos, hoje esse número é inferior a um milhão, há também um processo de apagamento cultural, desde o século XVI, os costumes de vários povos sofreram mudanças em decorrência do contato com os costumes brancos.

A pintura corporal é usada em alguns rituais e dependendo do sexo, idade, grupo social ou o papel de cada pessoa em um povo. 
As cores utilizadas são naturais, ou seja, feitas de plantas e frutas, o desenho no corpo é algo simbólico para descrever um momento ou emoção. Em 1560 a pintura do povo Kadiveu impressionou os colonos por ser um estilo gráfico complexo, ficaram maravilhados com a sua beleza.




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